ALMA DE MARCA
Ideias e Reflexões #paramarcasquemarcam
Opinião
À VELOCIDADE HUMANA
Saímos deste Congresso com a convicção reforçada de que as marcas continuarão a desempenhar um papel central na construção desse futuro.
TAGS

Num mundo onde tudo parece acelerar, talvez a verdadeira questão já não seja saber como acompanhar a velocidade da mudança. Talvez seja, antes, compreender como preservar aquilo que nos torna humanos no meio dessa aceleração.

Foi precisamente dessa inquietação que nasceu o IV Congresso das Marcas, promovido pela Centromarca sob o mote “À Velocidade Humana”.

Num contexto marcado por profundas transformações económicas, tecnológicas, sociais e geopolíticas, escolhemos desafiar uma das narrativas dominantes do nosso tempo: a ideia de que o progresso se mede exclusivamente pela rapidez, pela automatização ou pela eficiência.

Num momento em que a inteligência artificial redefine modelos de negócio, as cadeias de abastecimento enfrentam novas pressões, os consumidores alteram comportamentos, as sociedades envelhecem e a incerteza se tornou uma variável permanente, entendemos ser importante recentrar a discussão naquilo que permanece essencial: as pessoas.

As pessoas enquanto consumidores, trabalhadores, cidadãos, líderes, criadores, inovadores e agentes de transformação. Porque o futuro não se constrói apenas através da tecnologia. Constrói-se através da forma como escolhemos utilizá-la. Porque a competitividade não resulta apenas de melhores processos. Resulta da capacidade de gerar confiança, propósito, diferenciação e valor. Porque o crescimento económico não pode ser desligado da qualidade das relações humanas, da capacidade de cooperação e da construção de uma sociedade mais robusta e mais preparada para enfrentar os desafios do futuro.

Foi este o enquadramento que inspirou o Congresso.

Não pretendíamos apenas organizar mais um evento empresarial. Pretendíamos criar um espaço de reflexão estratégica, de diálogo e de encontro. Um espaço capaz de reunir perspectivas distintas e de promover uma conversa séria sobre o futuro das marcas, das empresas, da economia e do país.

Ao longo de um dia particularmente intenso, percorremos múltiplas dimensões daquilo que designámos como velocidade humana.

Falámos do poder das palavras e da comunicação num mundo saturado de informação. Reflectimos sobre a evolução dos consumidores, dos shoppers e dos comportamentos de compra numa sociedade em permanente transformação. Discutimos saúde mental, bem-estar, longevidade e qualidade de vida, reconhecendo que estes deixaram de ser temas periféricos para se tornarem factores centrais da vida económica e social. Abordámos o papel do contexto, das cidades, da demografia e das políticas públicas na construção de ambientes favoráveis ao investimento, à inovação e ao consumo.

Debatemos o impacto da inteligência artificial, da digitalização e das novas tecnologias na produtividade, na criatividade e na competitividade. Reflectimos sobre inovação, não como mera novidade, mas como processo contínuo de criação de valor. Analisámos o papel do retalho enquanto espaço de experiência, proximidade e humanização. E terminámos com uma inspiradora conversa sobre liderança, talento, competitividade, cultura organizacional e construção de grandes marcas.

Temas distintos, perspectivas diferentes, mas uma mesma ideia de fundo: num mundo cada vez mais acelerado, serão sempre as pessoas o principal factor de diferenciação e serão sempre as pessoas a interpretar sinais, a construir confiança, a tomar decisões, a assumir riscos, a liderar equipas, a criar inovação e a dar sentido ao progresso.

Talvez por isso uma das conclusões mais relevantes deste Congresso tenha sido precisamente a constatação de que a tecnologia não substitui humanidade, amplifica-a ou, dependendo da forma como for utilizada, pode contribuir para a sua erosão… tudo dependerá das escolhas que fizermos.

E as escolhas continuam a ser humanas.

O Congresso procurou precisamente lançar perguntas sobre essas escolhas. Perguntas sobre o tipo de economia que queremos construir, sobre o papel das marcas na criação de valor, sobre o equilíbrio entre competitividade e coesão social, sobre o relacionamento entre indústria, distribuição e consumidores.

E sobre a capacidade de Portugal afirmar uma verdadeira cultura de marca ou sobre a necessidade de transformar uma economia excessivamente centrada na produção numa economia cada vez mais orientada para a criação de valor, diferenciação, reputação e conhecimento.

Mas um Congresso não se mede apenas pela qualidade dos temas abordados. Mede-se também pela capacidade de mobilização que consegue gerar.

E, nesse aspecto, esta edição constituiu um motivo de enorme satisfação. A adesão foi extraordinária. A sala e os restantes espaços do Centro de Congressos do Estoril estiveram cheios e esta foi, de longe, a edição com maior participação. Mas, mais importante do que isso, o Congresso esteve cheio das pessoas certas: líderes empresariais, empresários, gestores, representantes institucionais, académicos, especialistas, profissionais de comunicação, responsáveis de marketing, decisores públicos, parceiros, associados e amigos.

Pessoas unidas por uma convicção comum: a de que as marcas constituem um activo estratégico da economia portuguesa e que pensar marcas é, inevitavelmente, pensar competitividade, investimento, inovação, propriedade intelectual, internacionalização e futuro.

A extraordinária participação verificada ao longo de todo o dia demonstrou que existe uma vontade genuína de debater ideias, partilhar conhecimento e construir pontes entre diferentes sectores e diferentes perspectivas.

Demonstrou também que o Congresso das Marcas se consolidou como um dos mais relevantes espaços de reflexão sobre consumo, competitividade e criação de valor em Portugal.

Mas talvez o aspecto mais gratificante tenha sido sentir a qualidade das conversas, as perguntas colocadas, as reflexões partilhadas, as relações criadas e as ideias lançadas.

Porque o verdadeiro impacto de um Congresso não termina quando se apagam as luzes do auditório. Continua depois… nas organizações, nas equipas, nas estratégias, nas decisões, nos projectos, nas relações que se fortalecem, nas novas iniciativas que nascem e, claro, nas sementes que ficam.

E foi precisamente essa sensação que marcou o final deste IV Congresso das Marcas.

A sensação de que algo relevante aconteceu. De que foram lançadas ideias que merecem continuar a ser discutidas. De que foram construídas pontes que importa preservar. De que foi reforçada uma comunidade que acredita no valor das marcas e na importância de pensar o país através da competitividade, da inovação e da criação de valor.

Nada disto teria sido possível sem o contributo de muitas pessoas.

Por isso, a primeira palavra só pode ser de agradecimento.

Agradecimento aos oradores e moderadores que aceitaram o desafio de partilhar conhecimento, experiência e visão. A qualidade das intervenções foi determinante para o sucesso do Congresso.

Agradecimento aos patrocinadores e parceiros que acreditaram neste projecto e que contribuíram para a sua concretização. O vosso apoio constitui um sinal claro de confiança na relevância desta iniciativa e na missão que a Centromarca tem vindo a desenvolver.

Agradecimento a todos os participantes. A todos aqueles que reservaram tempo nas suas agendas para estar presentes. A todos aqueles que contribuíram para a riqueza das conversas, para a qualidade do networking e para o ambiente extraordinariamente positivo que se viveu ao longo do dia.

Agradecimento igualmente às equipas que tornaram possível este Congresso… do Centro de Congressos do Estoril, da WonderWhy, da GCI Media e, de forma particularmente especial, à Vera Mendes, à Alexandra Queirós e ao Bernardo Capucho, cujo empenho, profissionalismo, dedicação e atenção ao detalhe foram absolutamente decisivos para transformar meses de preparação num evento que deixou marca em todos os que nele participaram.

Os grandes eventos fazem-se de momentos visíveis, mas constroem-se através de muitas horas de trabalho invisível e esse trabalho merece ser reconhecido.

Ao encerrarmos esta edição, fica um sentimento de enorme orgulho. Orgulho pelo caminho percorrido, pela qualidade do programa construído, pela extraordinária mobilização alcançada, pela relevância das reflexões produzidas e, acima de tudo, por verificar que o Congresso das Marcas continua a crescer em dimensão, notoriedade e impacto.

Mas fica também um forte sentido de responsabilidade.

Porque cada edição aumenta a expectativa, cada edição reforça a exigência, cada edição eleva a ambição.

A verdade é simples. A fasquia não pára de subir e é precisamente por isso que já iniciámos a preparação da próxima edição.

O Congresso das Marcas regressará em 2028, com um novo conceito, com novas ideias, com novos desafios, com novas perguntas, mas  com a mesma ambição de sempre: contribuir para a construção de um verdadeiro Portugal de Marcas, um Portugal mais competitivo, mais inovador, mais criativo, mais internacionalizado, mais capaz de gerar valor, mais capaz de afirmar a força das suas empresas e do seu talento.

Saímos deste Congresso com a convicção reforçada de que as marcas continuarão a desempenhar um papel central na construção desse futuro.

Porque as marcas não são apenas produtos, porque não são apenas comunicação e porque não são apenas activos económicos.

As marcas são confiança, são diferenciação, são reputação, são cultura, são memória, são ambição e são, acima de tudo, uma das expressões mais poderosas da capacidade humana de criar valor.

Num mundo que insiste em acelerar, continuaremos, por isso, a defender a importância de pensar, construir e liderar à velocidade humana. Porque é nessa velocidade que se constroem relações duradouras. É nessa velocidade que se gera confiança. É nessa velocidade que se criam grandes equipas, grandes empresas e grandes marcas. E é nessa velocidade que se constrói futuro.

Um futuro que queremos continuar a pensar, a discutir e a construir juntos.

Já a caminho de 2028.